Esse post é ((praticamente)) uma resposta a conversa que estava tendo no MSN com uma nova amiga que encontrei no orkut, ela me fez uma fantastica pergunta...
_ Cary, você é lésbica??
((pensei por uns segundos, lésbicas odeiam meninas bi))
_ Bem FULANA, sou bi.
((mentir pra que?!))
_ Sempre foi?
((hã, como assim?!))
Sempre fui?!?! Sei lá, antes achava que não, hoje olhando melhor pra dentro de mim tenho quase certeza de que sim.
Passei minha vida num colégio católico, lá fiz Primeira Comunhão, Crisma e participava das missas as sextas-feiras, e minha família em sua maioria é católica fervorosa. Durante minha adolescência vi todas as minhas amigas apaixonadinhas por "meninos" e nunca havia conhecido nenhuma menina lésbica ((creio eu até então)), me apaixonei por um carinha ((que outro dia por acaso encontrei numa festinha meio "suspeitosa", bola pra frente)), com esse nunca tive nenhum tipo de relação foi só uma frescurinha, mas também foi observando ele que conheci uma menina, nossa que linda ela era, nada do tipo "gostosona" ela tinha algo que eu achava lindo e que na época não percebia. O jeito dela falar, mexer no cabelo e dos meninos respeitarem ela, tudo na Raquel* me chamava atenção, eu queria ser como ela!! Ok, superado isso, bola pra frente...
Comecei um namoro que durou 5 anos ((minha história é cheia de namoros longos, não gosto de estar ficando sem sentimento só por ter alguém pra beijar)), durante esse tempo não me sentia tão relaxada, faltava algo que não sabia explicar, tivemos inumeras brigas porque ele reclamava que eu preferia mais sair com as minhas amigas do que em companhia dele, pior que era verdade, adorava estar entre as meninas e rindo, trocando carinhos e cumplicidades. Terminamos quando eu já estava na faculdade, lá um mundo novo se abriu. Conheci a primeira menina lésbica e nós ficamos amigas com facilidade, entendia o que ela sentia e não ficava julgando se deveria ou não buscar uma saída pra tudo aquilo. Um dia então ela falou que havia surgido um interesse por mim e minha cabeça entrou em parafuso, passei noites sem dormir e quando ficavamos juntas tentava evitar ao máximo qualquer proximidade física, antes porém nós trocavamos carinhos, chegamos até a dormir juntas um dia que estudamos até tarde na casa dela. Então o inevitável aconteceu, um dia numa festa ela me puxou num canto e me beijou, foi o beijo mais entregue que já havia dado. Se era pra ser ligeiro, típico dos beijos roubados, eu tinha perdido a noção do tempo e depois o gostinho de quero mais ficou na minha boca remoendo meus pensamentos.
Apesar do desejo de viver aquilo novamente, eu não conseguia me imaginar "namorando" uma mulher, afinal o que diriam os meus pais e todos os sonhos que eu mesma tinha sonhado pra mim?? Nós conversamos depois de umas semanas e concluímos que seria melhor continuar como amizade, mas infelizmente nada foi como antes e acabamos nos distanciando.
Um ano antes de me formar me casei e tive um filho ((que é um presente de Deus)), nós éramos amigos como nunca havia sido de nenhum outro homem que me envolvi, ele me conhecia perfeitamente e sabia de cada passo que havia dado incluindo a situação com minha amiga de faculdade. Nesse ponto nossa relação foi maravilhosa, ele me respeitava e não ficava com segundas intenções básicas de homem ((exemplo: vamos trazer outra mulher pra cama)). Porém nosso casamento não resistiu aos problemas do dia-a-dia, a rotina de um casamento é bem diferente de um namoro e ele não suportava as limitações que um filho pequeno traria a nossa vida, isso foi afastando e culminou com a descoberta de um orkut fake do qual nunca aceitei a justificativa. Separamos...
Então agora me encontrava formada, num trabalho estável, mãe e confusa. Havia conhecido uma mulher na internet e sabia que era lésbica desde o início, a cumplicidade foi enorme desde o início e ela participou de toda a minha luta na separação. Resolvi que devia apostar nisso, não nela, na verdade apostar em mim e no meu desejo de encontrar alguém que me completasse e compartilhasse toda a minha vida. Ficamos 2 anos juntas, assumi nossa relação para a minha família e ao lado dela conversamos diversas vezes com meu filho para que ele podesse receber a informação da maneira mais correta e que não lhe causasse nenhuma dúvida.
Infelizmente nós terminamos a alguns meses, infelizmente porque ninguém entra numa relação pensando que não vai durar para sempre ((pelo menos eu penso assim)).
Não posso me definir somente meninos ou somente meninas, gosto de uma boa companhia, de rir junto, viajar, dormir abraçadinho, andar de mão dadas, de aconchego numa crise de TPM, de ser protegida e de proteger... isso independe do sexo, basta que a outra pessoa tenha disponibilidade de entrega e queira viver isso também.
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